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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Modos de produção

       
        A busca por maiores índices de produtividade e lucro, fez com que as fábricas adotassem formas diferentes de organização ao longo do século XX. Essas mudanças tiveram consequências sociais e espaciais, e por isso são de grande importância para o estudo da geografia. Vamos ver alugumas as principais formas/teorias de organização fabril:

Taylorismo
Frederick Taylor é considerado o "pai da administração científica", por ter sido pioneiro no estudo detalhado da organização do trabalho em empresas de produção. Taylor defendia, em meados de 1900, que para aumentar ao máximo a produtividade, era necessário:
  • Um controle rígido das atividades dos trabalhadores, cada vez mais especializados em pequenas funções.
  • Separação entre trabalho intelectual e trabalho manual. Quem pensava na administração não participava das atividades manuais, que ficavam para os operários.
  • Emprego extensivo de mão-de-obra com baixa qualificação. Como a produção era bastante fragmentada e cada operário desempenhava apenas uma pequena função, era necessário um grande número de trabalhadores, e quanto maior esse número, maior seria a produtividade.
Fordismo

Linha de montagem fordista
    Henry Ford, um bem sucedido empresário norte-americano,  adotou na década de 1920, os princípios Tayloristas em sua empresa de automóveis Ford. Porém para facilitar a adoção da divisão da produção em pequenas atividades para os muitos trabalhadores, Ford implementou a Linha de montagem, uma espécie de esteira que percorria a fábrica deslocando as peças para cada trabalador, diminuindo o tempo em que cada unidade era produzida. Esse modelo de organização fabril foi expandido para diversas empresas de diferentes ramos industriais.
    Por um lado, a linha de montagem aumentou e muito a produtividade nas fábricas, gerando uma produção em massa. Por outro lado, ela possuía uma limitação, que era a padronização dos produtos, ou seja, a fábrica tinha uma estrutura rígida e com isso os produtos produzidos eram todos iguais. Uma variação nos produtos, mesmo na cor ou na embalagem, demandava uma mudança em toda estrutura da fábrica, e portanto era inviável. 

   

 Padronização até nas embalagens de diferentes sopas.




 





 Segundo Ford: "O cliente pode comprar carro de qualquer cor, desde que seja preto".






       A produção em massa proporcionada pelo Fordismo, gerou uma crise de superprodução. Uma crise de superprodução é gerada quando se produz mais do que a demanda. Como os vários trabalhadores ganhavam muito mal e não tinham nem tempo nem dinheiro para consumir o que se produzia nas fábricas, os produtos ficaram estocados, sem compradores. Essa superprodução levou os EUA a chamada Crise de 1929

     Para sair da crise foram adotadas as seguintes medidas:
  • Maior participação do Estado (governo) na economia, regulamentando o mercado financeiro e promovendo obras públicas com empresas estatais. Essa política ficou conhecida como KEYNESIANISMO.
  • Aumento dos salários e dos direitos dos trabalhadores. Redução da jornada de trabalho. Essa política ficou conhecida como Bem-estar-social (Welfare State) e foi uma tendência também nas fábricas que tinham adotado o Fordismo. Portanto o Fordismo após a crise de 1929 se caracterizou por uma tendência de aumento dos salários e da estabilidade dos trabalhadores, com o objetivo de possibilitar que esses trabalhadores consumissem e re-aquecessem a economia. Os sindicatos de trabalhadores aproveitaram o contexto favorável e se fortaleceram, aumentando os ganhos trabalhistas.
       Do ponto de vista espacial, o Fordismo gerou uma concentração das indústrias em grandes centros urbanos. As fábricas se localizavam próximas das fontes de matéria-prima, e próximas umas das outras, para facilitar as trocas entre elas. Como precisavam de muita mão-de-obra, surgiram grandes aglomerações urbanas ao redor das áreas mais industrializadas.

 
 À esquerda, enorme complexo industrial da Ford em Detroit, cidade símbolo do Fordismo.Abaixo o complexo em funcionamento. Fordismo gerou uma grande e problemática aglomeração urbano-industrial: Detroit.

 





  O Fordismo atingiu seu ápice nas décadas de 1950 e 1960, porém na década de 1970, os EUA, entraram num processo de recessão econômica que colocou em xeque o modelo fordista, que dava sinais de desgaste, e não era mais tão capaz de garantir lucros e crescimento econômico. Essa crise se alastrou para outros países capitalistas que também tinham adotado o fordismo.
Os principais fatores para a crise foram:
  • Gastos cada vez maiores com os altos salários que haviam subido muito nas décadas de 1950 e 1960, através da política de bem-estar-social.
  • Crise do Petróleo de 1973 e 1979.
  • Gastos públicos muito altos devido ao Keynesianismo e no caso dos EUA com a guerra do Vietnã e a corrida armamentista e espacial.
      Para sair da crise, a saída foi investir em um novo modelo de produção que garantisse a continuidade da produtividade e do lucro. Este novo modelo foi posto em prática de forma pioneira no Japão, nas fábricas da Toyota.

Toyotismo

      O novo modelo deveria ser flexível nas formas de ocupação das forças de trabalho, nas garantias trabalhistas e ma rigidez dos mercados de massa, agora saturados. Este modelo ficou conhecido como Toyotismo ou pós-fordismo e foi posto em prática em meados da década de 1970.
  • Flexibilização das leis trabalhistas, terceirização, diminuição do número de empregados, fragilização dos sindicatos, tudo para reduzir os custos.
  • “Just in Time”, produção no tempo exato a partir da automação, com o objetivo de reduzir o desperdício de tempo, matéria-prima e espaço de armazenamento. Isso só foi possível devido aos avanços tecnológicos da 3° revolução industrial, que aceleram os fluxos de informações, tecnologias, pessoas, mercadorias e matéria-prima.
Fábrica Toyotista: Onde estão os empregados???
  • Fábricas mais enxutas, para diminuir os custos. Com menos empregados e armazenamento, não era necessário mais um grande espaço físico como no fordismo.
  • Valorização da mão-de-obra qualificada, necessária para operar os sistemas de automação e informatização. 


  • Flexibilização da produção, ou seja, maior variedade de produtos, para que através do marketing os consumidores sejam convencidos de que sempre precisam comprar algo novo e assim dinamizem a economia.


Com o Toyotismo você monta o produto ao seu gosto pela internet

  • Desconcentração industrial:
     As indústrias que antes se concentravam em grandes aglomerados urbano-industriais, se transferem tendencialmente, para cidades pequenas e médias, menos congestionadas, menos sindicalizadas, com menos leis ambientalistas, com grandes incentivos fiscais. Cada vez mais, essas fábricas se instalam em países mais periféricos como Índia, Brasil, México, China, pois possuem ainda mais as vantagens locacionais citadas anteriormente, e uma mão-de-obra qualificada em expansão e bem mais barata.

       Atenção:

    Essas mudanças na forma de organização das fábricas só foram possíveis devido a um novo aparato político-ideológico, que permitiu o rompimento com os compromissos do Keynesianismo e do bem-estar-social. Esse aparato político foi o Neoliberalismo que prega uma maior liberdade para as empresas fazerem quase tudo o que quiserem, e gerou desemprego e exclusão para os que não mais úteis no novo modelo de produção, aumentando as desigualdades sociais.

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