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segunda-feira, 4 de abril de 2011

NOVA ORDEM MUNDIAL

Se a velha ordem mundial correspondia à ordem da guerra fria, marcada pela bipolaridade, pelo conflito ideológico capitalismo x socialismo e pela corrida armamentista, a nova ordem mundial corresponde ao contexto político e econômico mundial após a guerra fria. O fim da URSS e o crescimento econômico de novas potências abriu espaço para a emergência de mundo multipolar do ponto de vista econômico. O término da guerra fria e sua corrida armamentista, gerou um cenário onde as potências se impõem mais por seu poder econômico e tecnológico do que bélico. O fim do conflito ideológico também representou a hegemonia do capitalismo, agora mais globalizado do que nunca.

 Características da Nova Ordem Mundial:

a)Multipolaridade Econômica

           Nos anos 1970 a URSS já dava sinais de estagnação econômica, enquanto que países capitalistas como Alemanha Ocidental e Japão viviam um boom econômico. Era o início da formação de um cenário de multipolaridade econômica, que vai se tornar claro a partir da década de 1990, na chamada nova ordem mundial.
         Como o termo já indica, a multipolaridade é caracterizada pela existência de algumas potências econômicas como EUA, Japão, União Européia (principalmente Alemanha) e recentemente a China. 
Portanto não temos mais apenas 2 potências (EUA e URSS) como na velha ordem.
          
       Os EUA continuam como o país mais rico do mundo, mas vê sua posição de liderança econômica cada vez mais ameaçada pelo crescimento intenso da China e o fortalecimento da União Européia. Esta última se fortaleceu internamente com a adoção de uma moeda única (Euro) e hoje tem um PIB maior que o dos EUA, principalmente devido as economias de Inglaterra e Alemanha.
       A China foi o país que mais cresceu economicamente desde 1990, sendo hoje considerada a segunda maior economia do mundo. Seu crescimento não mostra sinais de estagnação, devendo levar este país ao posto de maior economia do mundo antes de 2030.
          O Japão possuía a segunda maior economia do mundo até ser ultrapassado pela China nos últimos anos, mas ainda é uma potência mundial, principalmente por sua capacidade tecnológica, fundamental nos dias atuais.

b)Intensificação da globalização econômica

       Desde que surgiu, o capitalismo sempre teve a tendência de se internacionalizar, com o objetivo de aumentar as trocas comerciais, lucros e a acumulação de riqueza. Após o fim da URSS e a crise no socialismo, essa internacionalização do capitalismo atingiu um nível jamais visto antes, que foi chamado de Globalização.
       Portanto a globalização econômica representa o estágio do capitalismo em que estamos vivendo agora, com uma intensa circulação mundial do capital, da produção e do consumo.
     As inovações tecnológicas nos setores de transportes e comunicações, foram fundamentais para intensificar o processo de globalização. Além disto, para aumentar os fluxos da globalização econômica, foi preciso reduzir as barreiras alfandegárias e a participação dos governos nacionais na econômia. Isto foi feito a partir da década de 1990 através da formação de blocos econômicos regionais e da adoção do Neoliberalismo* pela maioria dos países do mundo. Aliás, essas são duas importantes características da globalização econômica e portanto, da Nova Ordem Mundial.

*Neoliberalismo é uma doutrina econômica que defende a absoluta liberdade de mercado e uma redução da intervenção estatal sobre a economia. Enquanto idéia, foi desenvolvido na década de 1940, como oposição ao Keynesianismo. Começou a ser posto em prática em países desenvolvidos ainda na década de 1970, como solução para a crise econômica da época. A partir da década de 1990, foi posto em prática por quase todos os países industrializados, principalmente por influência (ou imposição) de instituições financeiras internacionais lideradas pelos EUA como o FMI e o Banco Mundial.  

c)Capacidade tecnológica e econômica definidora do poder mundial

          Durante a Velha Ordem Mundial (a ordem da Guerra Fria), EUA e URSS competiam pela hegemonia mundial. Essa competição era travada não apenas na dimensão econômica, mas também pelo poderio bélico: Quem tivesse armas em maior quantidade e qualidade, era a maior potência.
         Atualmente, do ponto de vista bélico, não resta dúvida: Nenhum país no mundo possui um poderio militar tão poderoso quanto o dos EUA. Fala-se até em uma “unipolaridade militar”.
         Porém, apenas isso não garante a liderança mundial deste país, pois o mais importante é a maior competitividade na economia globalizada. O “motor” da globalização econômica é a competitividade, por isso   governos e empresas investem fortemente em pesquisas científicas visando as inovações tecnológicas que vão garantir vantagens econômicas.
         Isso gera um avanço tecnológico bastante rápido e o desenvolvimento de setores produtivos da chamada terceira revolução industrial: Informática, nanotecnologia, robótica, telecomunicações, biotecnologia.
        Portanto, na Nova Ordem Mundial é a capacidade de inovação tecnológica que define o poder mundial e não o poderio bélico. As “guerras” são travadas nas bolsas de valores e as táticas e estratégias são traçadas em sedes de grandes corporações e bancos. 

                             A santíssima trindade da informática: os criadores do Linux, Ipod e Windows.
d) Disparidade entre países do Norte e do  Sul        

       As tecnologias da terceira revolução industrial, responsáveis pelo processo de globalização e mais valorizadas atualmente,  são caras e necessitam de grandes investimentos. Por isso, os países subdesenvolvidos não possuem condições de investir nesses setores como os países mais ricos.
       Além disso, as novas tecnologias desvalorizam progressivamente uma coisa fundamental que os países subdesenvolvidos  possuem em abundância: mão-de–obra barata. Isto ocorre porque as inovações tecnológicas vem substituindo o trabalho humano não especializado por máquinas, seja na agricultura, nas fábricas ou no setor de serviços.
       O resultado destes dois fatores é o aumento do desemprego e a permanência da pobreza nos países mais pobres, aumentando a disparidade entre o Norte (mais rico e desenvolvido) e o Sul (mais pobre e subdesenvolvido). Claro que essa disparidade não surge na Nova ordem mundial, mas tende a se agravar nela.
         Por outro lado, dentro do conjunto de países subdesenvolvidos as disparidades também tem aumentado, já que países que conseguiram minimamente investir em educação e pesquisa, gerando alguma mão-de-obra especializada e qualificada, tem apresentado melhoras nos índices econômicos e sociais. É o caso do Brasil e da Índia, e em menor escala a África do Sul e o México.

e)Formação de Blocos Econômicos

        Como já foi visto anteriormente, uma das características mais importantes da Nova ordem mundial é a intensificação da globalização econômica, ou seja, o aumento dos fluxos de capital, produtos, fábricas, empresas, etc. A formação de blocos econômicos regionais serviu justamente para facilitar esses fluxos através da redução das barreiras alfandegárias entre os países membros.
      Portanto os blocos econômicos são mercados onde as barreiras alfandegárias vão caindo até haver unificação do espaço econômico entre os países membros. Eles facilitam o ciclo de reprodução do capital em escala regional.


Etapas de formação de blocos:

I)Zona de livre comércio- Diminuição ou redução das tarifas alfandegárias.
II)União Aduaneira- Zona de livre comércio com tarifa externa comum.
III)Mercado Comum-União Aduaneira com livre circulação de mão-de-obra , capital, bens e serviços.

Alguns blocos econômicos:

União Europeia- Entrou em vigor em 1992 após o Tratado de Maastricht. É um mercado comum, e desde 2002 possui uma moeda única (EURO) adotada pela maioria dos países membros.
Mercosul- É uma Zona de livre comércio com União Aduaneira aida sendo consolidada. Foi criado em 1991 com o tratado de Assunção, com o objetivo de fortalecer a economia sul-americana.  Algumas divergências internas dificultam o avanço na integração econômica.
Nafta- Acordo de livre comércio da América do Norte que começou a vigorar em 1994 e possui EUA, México e Canadá como membros. Possui a liderança dos EUA que vê no México um bom lugar para instalar suas indústrias e no Canadá um grande fornecedor de matéria-prima.


    

Um comentário:

MoniquePires disse...

Muito bom, me ajudou a entender melhor.